Glossário do embarcado
As palavras do dia a dia de quem trabalha embarcado, com a fonte de cada definição.
Foto: Ptérodactyl Ivo, CC BY 2.0
34 termos
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0–9
- Direito14x14
Escala de 14 dias a bordo e 14 em terra. É a proporção mínima que a Lei 5.811 dá no turno de 12 horas: 24 horas seguidas de folga para cada turno trabalhado (art. 4º, II).
Veja tambémEscala14x2121x21Folga
Fonte: Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto); Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
- Direito14x21
Escala de 14 dias a bordo e 21 em terra. Dá mais folga que o mínimo da Lei 5.811 e surgiu de acordo coletivo negociado depois da Constituição de 1988, segundo estudo sobre a Bacia de Campos. Uma decisão do TST de junho de 2026 tratou da compensação de folgas nessa escala, e não da validade da escala (Informativo TST nº 314).
Veja tambémEscala14x1421x21Folga suprimida
Fonte: Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO); Informativo TST nº 314 (25/05 a 12/06/2026); Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto)
- Direito21x21
Escala de 21 dias a bordo e 21 em terra. Os 21 dias seguidos passam do limite de 15 dias da Lei 5.811 (art. 8º). Em 2025, a 7ª Turma do TST considerou inválido um regime 21x21 com turnos de 12 horas, sem repouso de 24 horas, num caso em que o acordo coletivo não tratava da jornada (Informativo TST nº 305).
Fonte: Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto); Informativo TST nº 305 (30/09 a 16/10/2025)
A
- Rotina a bordoAbandono
A saída de emergência de todas as pessoas da plataforma, e também os treinos para isso. A NR-37 trata da segurança dos trabalhadores durante o abandono da plataforma.
Veja tambémBaleeiraCesta de transbordoPOB
Fonte: NR-37, Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo, texto atualizado (Ministério do Trabalho e Emprego); Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
B
- Rotina a bordoBaleeira
Barco salva-vidas da plataforma, usado para deixar a unidade numa emergência. Aparece entre os recursos de salvatagem citados na NR-37.
Veja tambémAbandonoCesta de transbordo
Fonte: NR-37, Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo, texto atualizado (Ministério do Trabalho e Emprego); FUP, acidente com baleeira em plataforma da Bacia de Campos, 06/12/2021; Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
- Rotina a bordoBorracho
Apelido do novato no trabalho embarcado. Pesquisa com trabalhadores da Bacia de Campos registra que o termo também é usado para operadores novos de refinarias.
C
- LugarCamarote
O quarto onde se dorme a bordo. Pela NR-37, o camarote acomoda no máximo quatro pessoas, é separado por sexo e tem instalação sanitária privativa (item 37.12.7.1).
Veja tambémCasarioHotelaria offshorePOB
Fonte: NR-37, Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo, texto atualizado (Ministério do Trabalho e Emprego); Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006
- LugarCasario
O bloco da plataforma onde a pessoa mora durante o embarque, com os camarotes e as áreas de vivência. A NR-37 usa o termo casario.
Veja tambémCamaroteHotelaria offshoreHeliponto
Fonte: NR-37, Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo, texto atualizado (Ministério do Trabalho e Emprego); Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006
- Rotina a bordoCesta de transbordo
Cesta içada por guindaste para passar pessoas entre o barco e a plataforma. A NR-37 chama de cesta de transferência e exige avaliação de saúde de quem a usa fora de situações de emergência (itens 37.6.3 e 37.6.3.1).
Veja tambémBaleeiraAbandonoTroca de turma
Fonte: NR-37, Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo, texto atualizado (Ministério do Trabalho e Emprego); FUP, transbordo diário de trabalhadores com cestas, 17/02/2014; Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006
- DireitoConfinamento
Palavra usada para a condição de quem passa dias seguidos a bordo sem poder sair da plataforma; a FUP fala em "regime de confinamento". A Lei 5.811 não prevê um adicional com esse nome: quando um pagamento assim aparece, a base é o acordo coletivo, o contrato ou uma regra da empresa.
Veja tambémEmbarqueCasarioTPE (tensão pré-embarque)
Fonte: FUP, Amor em turnos: casais de petroleiros em regime de confinamento, 12/06/2022; Maders e Coutinho, Estudos de Psicologia, 2017 (Redalyc); Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto)
D
- Rotina a bordoDesembarque
A volta da plataforma para terra no fim da escala. Na fala da categoria, a plataforma é "lá em cima" e a terra é "aqui embaixo".
Veja tambémEmbarqueFolgaEscala
Fonte: Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO); Castro, Gestão & Produção, 2013 (SciELO)
- Rotina a bordoDesimplante
Retirada do trabalhador da escala ou da plataforma em que estava implantado. O termo aparece em material sindical sobre a saída de trabalhadores de plataformas em descomissionamento.
Veja tambémImplantadoEscala
Fonte: FUP, trancaço no Heliporto do Farol contra desimplantes, 04/12/2025
- DireitoDobra
Ficar a bordo além da escala ou trabalhar em dia que seria de folga. O STJ usa o termo "dobra de regime (ou dobra offshore)"; o valor pago por esse dia não está na Lei 5.811 e vem do acordo coletivo ou do contrato.
Veja tambémFolga suprimidaFolga indenizadaEscala
Fonte: STJ, Boletim de Precedentes nº 137 (Controvérsia 788); Receita Federal, Solução de Consulta Cosit nº 85/2025; Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto)
E
- Rotina a bordoEmbarque
O período seguido que a pessoa passa a bordo da plataforma, entre a ida e a volta para terra. Quem trabalha assim se chama de embarcado ou embarcada.
Veja tambémDesembarqueEscalaPAXTroca de turma
Fonte: Leite, Ciência & Saúde Coletiva, 2009 (SciELO); Maders e Coutinho, Estudos de Psicologia, 2017 (Redalyc)
- DireitoEscala
A divisão entre dias a bordo e dias em terra, escrita com dois números: 14x14 quer dizer 14 dias embarcado e 14 de folga. A base é a Lei 5.811, que dá 24 horas de folga para cada turno de 12 horas e limita a 15 dias seguidos em serviço; escalas com mais folga vêm de acordo coletivo ou contrato.
Veja também14x1414x2121x21Dobra
Fonte: Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto); Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
F
- LugarFarol
O Heliporto do Farol de São Tomé, em Campos dos Goytacazes (RJ), de onde saem voos para as plataformas. Entre 2022 e 2024, respondeu por 38% dos passageiros do transporte aéreo do setor de petróleo, segundo levantamento publicado pelo Monitor Mercantil.
Veja tambémHelipontoPAXEmbarque
Fonte: Monitor Mercantil, transporte aéreo no setor do petróleo, 17/06/2026; FUP, trancaço no Heliporto do Farol contra desimplantes, 04/12/2025
- DireitoFolga
O período em terra entre um embarque e outro. No turno de 12 horas, a Lei 5.811 dá 24 horas seguidas de folga para cada turno trabalhado, e essas folgas cumprem a obrigação do descanso semanal remunerado (arts. 4º e 7º).
Veja tambémFolga suprimidaFolga indenizada14x14
Fonte: Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto); Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
- DireitoFolga indenizada
Folga que não foi gozada e foi paga em dinheiro. Se esse pagamento sofre imposto de renda é discutido: a Receita Federal diz que sim (Solução de Consulta Cosit 85/2025), e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional diz que não e deixou de recorrer nesses processos.
Veja tambémFolgaDobraFolga suprimida
Fonte: PGFN, Lista de dispensa de contestar e recorrer; Receita Federal, Solução de Consulta Cosit nº 85/2025
- DireitoFolga suprimida
Folga que a pessoa perdeu porque ficou a bordo além da escala ou foi chamada a trabalhar no período de descanso. O TST já decidiu pelo pagamento de folgas suprimidas quando a compensação imposta pela empresa não valia (Informativo TST nº 314).
Veja tambémFolgaDobraFolga indenizada
Fonte: Informativo TST nº 314 (25/05 a 12/06/2026); FUP, trancaço no Heliporto do Farol contra desimplantes, 04/12/2025; Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto)
H
- LugarHeliponto
A área de pouso do helicóptero na plataforma. A NR-37 chama de helideque; na fala dos trabalhadores e em pesquisas aparece como heliponto.
Veja tambémTroca de turmaFarolCasario
Fonte: NR-37, Segurança e Saúde em Plataformas de Petróleo, texto atualizado (Ministério do Trabalho e Emprego); Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006
- Rotina a bordoHotelaria offshore
Os serviços de moradia a bordo, como cozinha, refeitório, limpeza, lavanderia e camarotes, e as pessoas que trabalham neles. Os trabalhadores da hotelaria offshore fizeram greve própria em julho de 2026, segundo o Sindipetro-NF.
Veja tambémCamaroteCasarioConfinamento
Fonte: Sindipetro-NF, greve da hotelaria offshore, 17/07/2026; Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006
I
- Rotina a bordoImplantado
Trabalhador que tem lugar fixo numa escala e numa plataforma, em vez de ficar aguardando a programação de embarque. O termo aparece em depoimento de embarcado ao Museu da Pessoa.
Veja tambémDesimplanteEscalaEmbarque
Fonte: Museu da Pessoa, história de vida de José Hamilton de Oliveira, 2008
P
- Rotina a bordoPassagem de serviço
A conversa em que quem sai do turno conta a quem entra o que está acontecendo no posto. Pesquisa com embarcados registra que fazer uma boa passagem de serviço é preocupação comum nos dias que antecedem o desembarque.
Veja tambémRender (ser rendido)Troca de turma
- Rotina a bordoPAX
Sigla de passageiro usada no transporte aéreo. Pesquisa com embarcados registra que, no aeroporto, antes do voo para a plataforma, o trabalhador "vira PAX".
- Rotina a bordoPeão
Trabalhador de base, em oposição à chefia. Pesquisas com embarcados registram o uso da palavra entre os próprios trabalhadores.
Fonte: Coutinho, Menandro e Moreira, revista PSI, UNISC, 2019; Daniel, revista Theomai, 2011 (Redalyc); Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
- Rotina a bordoPermissão de trabalho (PT)
Documento que libera uma tarefa de inspeção ou manutenção em área operacional da plataforma. A NR-37 chama de PT e só dispensa a emissão em casos específicos, como atividade rotineira precedida de análise de risco (item 37.17.8).
- Rotina a bordoPeroba
Apelido que trabalhadores de empresas terceirizadas dão ao empregado concursado da operadora. Termo registrado em pesquisa com embarcados.
Fonte: Coutinho, Menandro e Moreira, revista PSI, UNISC, 2019
- Rotina a bordoPOB
Sigla em inglês de People On Board: o número total de pessoas a bordo da plataforma, como define o glossário da NR-37.
R
- Rotina a bordoRender (ser rendido)
Ser substituído pelo colega do turno seguinte ao fim da jornada. Segundo estudo sobre a Bacia de Campos, quem está em regime de sobreaviso não é rendido por outro trabalhador depois das 12 horas.
Veja tambémPassagem de serviçoTroca de turmaSobreaviso
Fonte: Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
S
- DireitoSobreaviso
Na Lei 5.811, regime em que quem faz supervisão, geologia de poço ou apoio operacional fica 24 horas à disposição, trabalha até 12 horas e recebe adicional de no mínimo 20% do salário-básico (arts. 5º e 6º). É diferente do sobreaviso da CLT, que trata de quem espera chamado à distância durante o descanso (Súmula 428 do TST).
Veja tambémTurno de revezamentoRender (ser rendido)Folga
Fonte: Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto); TST: nova redação da Súmula 428 sobre sobreaviso
T
- Rotina a bordoTPE (tensão pré-embarque)
O nervosismo dos últimos dias de folga antes de embarcar de novo, que atinge o trabalhador e a família. O nome foi registrado em pesquisas com embarcados da Bacia de Campos.
Veja tambémEmbarqueFolgaConfinamento
Fonte: Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006; Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO)
- Rotina a bordoTroca de turma
A troca das equipes na plataforma: o helicóptero leva a turma que entra e traz a que sai. A NR-37 usa a expressão ao tratar do transporte de trabalhadores (item 37.11.1.2).
Veja tambémRender (ser rendido)HelipontoEmbarque
- DireitoTurno de revezamento
Trabalho em que equipes se revezam no mesmo posto para a operação não parar, alternando dia e noite. A Constituição fala em 6 horas para turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva, mas o TST firmou que a Lei 5.811 continua valendo para a jornada dos petroleiros, o que permite o turno de 12 horas no mar (Súmula 391).
Veja tambémViradaEscalaSobreaviso
Fonte: Constituição Federal, art. 7º (Planalto); Lei nº 5.811, de 11 de outubro de 1972 (Planalto); Súmulas do TST, consulta oficial
V
- Rotina a bordoVirada
A troca do turno do dia para o turno da noite no meio do embarque, que obriga o corpo a reorganizar o sono. Estudo sobre a Bacia de Campos descreve o esquema de 7 dias de dia e 7 de noite (7D/7N), com a virada entre as duas semanas.
Veja tambémTurno de revezamentoTroca de turma
Fonte: Alvarez, Figueiredo e Rotenberg, Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 2010 (SciELO); Castro, Gestão & Produção, 2013 (SciELO); Martins, dissertação de mestrado, UENF, 2006
Os termos de direito estão em tese: cada situação depende do contrato e do acordo coletivo.

